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09 mar

Comportamento, Lifestyle

Quando estar presente não é físico

É muito bonito defender a ideia de que precisamos dedicar um pouquinho mais do nosso tempo a todos que amamos, mas, meus caros, está cada vez mais difícil administrar isso. Não que eu ame meio mundo de gente. Longe disso. Sou acessível, mas bem cricri com isso de entrega e troca, mas é que o mundo está cada vez mais cheio de regras de habitação. Não sei onde aceitei esses termos. Tenho certeza que não li nada sobre. Eu durmo mais no transporte público que na minha cama. Como posso me encaixar na vida de todo mundo que tenho apreço?Digo isso no sentido de existir em todos os espaços e lares que a gente acaba fazendo parte. Alguém consegue? Sem nenhum déficit? Estar presente é quase um cálculo matemático. Como descobrir cosseno e tangente. Um dia eu soube fazer, mas hoje preciso que me lembrem. Não é minha culpa. Apelo, quase sempre, para a regra de três. Sempre me salvou. Acho que deveriam inventar algo do tipo, mas aplicável aos relacionamentos.São tantos ciclos. Sociais, temporais, mentais. É tanto giro, movimento e correria que às vezes estou aqui pensando em mandar um "Oi, sumido (a). Saudades!", sincero mesmo, mas me deparo com um e-mail, um trabalho da faculdade, uma demanda no emprego. É um parente doente, um carregador de notebook que quebra, um cabelo que precisa ser cortado. É um feed de Facebook, Instagram e Twitter que te bombardeia com informações borbulhantes sobre qual o seu papel no mundo. Qual pontinho colorido você é na piadinha do universo? Acabo priorizando o que é prioridade. Assim mesmo, bem redundante.Volto-me para o que é mais urgente agora por que não posso enlouquecer. Estou novo, velho demais e logo em seguida com uma vida inteira pela frente, mas espera um pouco. Falta muito para chegar aos trinta anos? Socorro? Tudo que me afeta, comove e instiga é importante. É meu, né? Sobre mim. Problema ou não, é meu. Compete a mim e apenas eu posso resolver. Ajuda às vezes atrapalha. Equilíbrio. Eu gosto de ficar sozinho também. É bom.Só queria dizer que acho o máximo voltar e ser bem recebido. Dar aquele olá a um amigo que há semanas não converso e parecer que não estive ausente, sabe? Acho bacana demais me sentir à vontade com quem não é parte da minha rotina agora, mas já foi um dia. É um banho na alma saber que quando algo é bom perdura. Vence uns obstáculos que se multiplicam na vida adulta. Não gosto de cobrar atenção e muito menos dinheiro. Sei que é importante cultivar, regar para não morrer. Penso nisso sempre.Só queria dizer que estar presente nem sempre é algo físico. Palpável. Reciprocidade é mais do que responder o whatsapp sem demora. Às vezes é lembrar e morrer nisso. Às vezes é uma ligação e um sorvete no fim de tarde.
09 mar

Comportamento, Lifestyle

Quando estar presente não é físico

É muito bonito defender a ideia de que precisamos dedicar um pouquinho mais do nosso tempo a todos que amamos, mas, meus caros, está cada vez mais difícil administrar isso. Não que eu ame meio mundo de gente. Longe disso. Sou acessível, mas bem cricri com questões de entrega e troca. Mas é que o mundo está cada vez mais cheio de regras de habitação. Não sei onde aceitei esses termos. Tenho certeza que não li nada sobre. Eu durmo mais no transporte público que na minha cama. Como posso me encaixar na vida de todo mundo que tenho apreço?Digo isso no sentido de existir em todos os espaços e lares que a gente acaba fazendo parte. Alguém consegue? Sem nenhum déficit? Estar presente é quase um cálculo matemático. Como descobrir cosseno e tangente. Um dia eu soube fazer, mas hoje preciso que me lembrem. Não é minha culpa. Apelo, quase sempre, para a regra de três. Sempre me salvou. Acho que deveriam inventar algo do tipo, mas aplicável aos relacionamentos.São tantos ciclos. Sociais, temporais, mentais. É tanto giro, movimento e correria que às vezes estou aqui pensando em mandar um "Oi, sumido (a). Saudades!", sincero mesmo, mas me deparo com um e-mail, um trabalho da faculdade, uma demanda no emprego. É um parente doente, um carregador de notebook que quebra, um cabelo que precisa ser cortado. É um feed de Facebook, Instagram e Twitter que te bombardeia com informações borbulhantes sobre qual o seu papel no mundo. Qual pontinho colorido você é na piadinha do universo? Acabo priorizando o que é prioridade. Assim mesmo, bem redundante.Volto-me para o que é mais urgente agora por que não posso enlouquecer. Estou novo, velho demais e logo em seguida com uma vida inteira pela frente, mas espera um pouco. Falta muito para chegar aos trinta anos? Socorro? Tudo que me afeta, comove e instiga é importante. É meu, né? Sobre mim. Problema ou não, é meu. Compete a mim e apenas eu posso resolver. Ajuda às vezes atrapalha. Equilíbrio. Eu gosto de ficar sozinho também. É bom.Só queria dizer que acho o máximo voltar e ser bem recebido. Dar aquele olá a um amigo que há semanas não converso e parecer que não estive ausente, sabe? Acho bacana demais me sentir à vontade com quem não é parte da minha rotina agora, mas já foi um dia. É um banho na alma saber que quando algo é bom perdura. Vence uns obstáculos que se multiplicam na vida adulta. Não gosto de cobrar atenção e muito menos dinheiro. Sei que é importante cultivar, regar para não morrer. Penso nisso sempre.Só queria dizer que estar presente nem sempre é algo físico. Palpável. Reciprocidade é mais do que responder o whatsapp sem demora. Às vezes é lembrar e morrer nisso. Às vezes é uma ligação e um sorvete no fim de tarde.
03 mar

Comportamento, Lifestyle

[RESENHA] A Garota do Cemitério – Charlaine Harris/Christopher Golden

A Garota do Cemitério - Charlaine Harris/Christopher GoldenISBN-10: 8558890358Ano: 2017Páginas: 128Editora: ValentinaClassificação: Página do livro no SkoobEla adotou o nome Calexa Rose Dunhill, inspirada numa lápide do sombrio ambiente em que acordou, ferida e apavorada, sem qualquer lembrança de sua identidade, de quem a jogou lá para morrer ou mesmo do porquê. Fez do cemitério o seu lar, vivendo escondida numa cripta. Mas Calexa não pode se esconder dos mortos – e, quando descobre que possui a estranha capacidade de ver as almas se desprenderem de seus corpos... Então, certa noite, Calexa presencia um grupo de jovens praticando uma sinistra magia. Horrorizada, testemunha o ato insano que eles cometem. Quando o espírito da vítima abandona o corpo, ele entra em Calexa, atormentando sua mente com visões e lembranças que parecem não ser dela.Resenha:O trio de profissionais envolvidos nessa HQ já é meio caminhando andado para a perfeição. Charlaine Harris é a autora por trás do seriado True Blood, que na verdade é uma série de livros adaptada para a TV. Só jesus sabe o quanto morria de amores por Sookie Stackhouse na HBO. Christopher Golden, além de escrever para Buffy, a Caça Vampiros, é um dos quadrinistas de Hellboy. Nada fracos, ein? Para completar, Don Kramer, que assina os traços dessa história, já desenhou para enredos de Batman, Mulher Maravilha e tantos outros. O que a gente encontra nas páginas do primeiro livro da série Os Impostores é encantador.Acordar sem lembrar o que fez na noite passada pode até não ser tão incomum assim, mas quando isso acontece e você se vê no meio de um cemitério as coisas já mudam de tom. Não estou falando de uma simples bebedeira. Estou falando de uma garota que foi abandonada entre sepulturas numa noite fria e chuvosa. Não uma garota, uma adolescente. Uma mulher que já viveu algo na vida e não se lembra mais de nada. Nem o próprio nome. E partindo do pressuposto de que alguém tentou matá-la, prefere viver às escondidas no cemitério até descobrir quem realmente é.A graça da história está no sobrenatural. Depois de desfilar pelas catatumbas e adotar um nome ali eternizado pela morte, Calexa Rose Dunhill - este último sendo o nome do cemitério, nossa protagonista percebe que consegue enxergar a alma dos mortos que ali são enterrados. Ela vê o processo de passagem das almas para sabe-se lá onde e a dúvida que fica é: ela desenvolveu esse poder quando foi deixada ali ou isso já é parte de quem ela é? Calexa se integra à rotina do cemitério e até faz "amigos". Para sobreviver ela precisa roubar, mas até o funcionário do lugar entende que ela não é uma má pessoa. Calexa vive pelas sombras. Ela sobrevive de coragem e restos. Da bondade dos vizinhos que já perceberam a sua existência.Mas, claro, algo de muito ruim acontece. E tudo que falarei sobre isso é: um grupo de jovens praticando magia negra tenta invocar alguém que já morreu e acabaM fazendo uma nova vítima. Calexa tem papel decisivo nesse problema.Se eu curti? Amei. De verdade. Não sou um consumidor assíduo de graphic novels, mas já li algumas sim. A Garota do Cemitério é sombrio e tocante na medida certa. Os traços são fortes e apesar de ter lido tudo em uma única viagem de ônibus, é impossível não haver conexão imediata com os personagens. Que venha o volume dois!
testjir